Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas Não Alcoólicas

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Obesidade. De quem é a culpa?

Os índices da obesidade no Brasil e no mundo têm desencadeado uma avalanche de discussões e reportagens sobre o tema. Em jornais, revistas e na Internet não é difícil encontrar declarações que acusem um produto específico ao problema. Carboidratos, gorduras e açúcar já foram apontados como os grandes vilões da obesidade.

De acordo com estudos científicos, a obesidade é classificada como uma doença de origem multifatorial, causada pelo desequilíbrio no balanço energético (calorias ingeridas X calorias gastas), por uma alimentação desbalanceada, pela falta de atividade física e até por tendência genética. Segundo a Organização Mundial de Saúde, mais do que a ingestão de produtos específicos, a redução da prática de atividades físicas é um dos fatores que mais têm contribuído para o surgimento da obesidade.


O consumo de todos os produtos é importante

Ao associar a obesidade a apenas um produto, sem fazer a correlação com o gasto calórico, corre-se o risco de induzir a população ao erro e de não resolver o problema. De acordo com o endocrinologista Alfredo Halpern, as orientações nutricionais hoje em dia são calcadas em muito mais informações e muito mais detalhes que no passado.

"Sabemos hoje em dia que há gorduras boas e más, carboidratos bons e maus e que não há sentido em aconselhar dietas radicais que cortam algum tipo de alimento. Não se deve eliminar nenhum carboidrato da dieta", afirma o médico.


O consumo de refrigerante no Brasil

De acordo com os dados da ABIR, o consumo per capta de açúcar proveniente de refrigerantes no Brasil é de 6,3 kg ao ano, e se mantém estável desde 1997. Esse número representa menos de 13% do consumo per capta anual de açúcar no país, segundo dados da UNICA (União da Agroindústria Canavieira de São Paulo).

Ao contrário do que se especula, o consumo de refrigerantes no Brasil é relativamente baixo. Apesar do país possuir clima propício à elevada ingestão de líquidos, o brasileiro consome em média 66 litros de refrigerante ao ano, colocando o Brasil apenas em  12º lugar no ranking mundial de consumo per capta da bebida. Para se ter uma idéia, todos os países da Comunidade Européia possuem consumo per capta de refrigerante superior ao do Brasil.

Convertendo para níveis diários, o consumo médio do brasileiro é de 165 ml, o que representa a ingestão de 17 g de açúcar ou 68 calorias. Seguindo o parâmetro de que o ser humano necessita de 2000 calorias por dia, a quantidade ingerida por refrigerantes representa menos de 4% das necessidades diárias do homem.

Frente aos números, não é razoável atribuir ao refrigerante a responsabilidade pela epidemia de obesidade no país. Embora seja óbvio que qualquer produto em excesso possa contribuir para o aumento de peso, nas condições razoáveis de consumo os refrigerantes podem fazer parte de uma dieta saudável. Vale lembrar ainda que há no mercado opções diversificadas de refrigerantes light/diet, cujas porções individuais possuem menos de uma caloria.

Segundo o endocrinologista Carlos Augusto Monteiro, o que se vê atualmente é o aumento do sedentarismo e a deterioração dos padrões alimentares, o que indica que ambos os problemas devam ser combatidos eficaz e simultaneamente. "A solução é a promoção de estilos de vida sadios, mais do que o combate a um ou outro fator de risco isolado", declara o médico.

Acesse o arquivo na barra ao lado e veja o ranking mundial de consumo per capta de refrigerantes e o comportamento do consumo de refrigerantes não dietéticos, segundo os dados da indústria de bebidas não alcoólicas.

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