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Jornal do Brasil - RJ, 07/11/2004, Economia & Negócios, A-17
Jornal do Brasil - RJ, 07/11/2004, Economia & Negócios, A-17Verão que aquece lucros
Bruno Rosa
Depois de um verão morno e chuvoso em 2003, as empresas que faturam graças ao consumo na alta estação se preparam para esquentar suas vendas este ano. A Confederação Nacional do Comércio (CNC) prevê expansão de 7% nos ganhos do setor até o fim do ano, mas, em alguns segmentos, como a indústria de moda de praia, esse desempenho será duas vezes melhor. Por trás do otimismo, está a melhora nos indicadores econômicos ao longo de 2004, com a recuperação da atividade industrial e a recomposição, mesmo que parcial, das perdas salariais dos últimos anos. As empresas que apostam na força das vendas no verão têm acompanhado estes dados com muita atenção. Em muitos casos, a alta estação representa mais de 40% de seu faturamento. A indústria da moda está apostando em um verão mais forte. Se os termômetros registrarem temperaturas altas e as recentes altas dos juros não prejudicarem a recuperação do consumo, as vendas de roupas de praia deverão crescer entre 15% e 16% na comparação com o ano passado. Para Fernando Pimentel, diretor de marketing da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), como as vendas do inverno deste ano já foram boas, na esteira do crescimento econômico do primeiro semestre, as do verão deverão se manter no mesmo patamar. O setor de refrigerante e de bebidas espera uma alta na mesma proporção do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB, soma de todas as riquezas geradas no país). - Esperamos altas de 4,5% nos meses quentes do ano, época em que o consumo de bebidas representa 60% das vendas anuais. No acumulado deste ano, a alta de vendas no setor foi de 2% em comparação com o mesmo período do ano passado - explica Cláudia Jenon, diretora executiva da Associação Brasileira da Indústria de Refrigerantes e Bebidas não Alcoólicas (Abir). Mas nem todos estão tão otimistas. Apesar dos diversos lançamentos de aparelhos de ar-condicionado, sorvetes e protetores solares, os fabricantes acreditam que só um verão bem quente, com os termômetros acima dos 35ºC, poderá salvar a indústria. A avaliação é de Marcos Manoel Torrado, diretor comercial da Springer Carrier, líder mundial no segmento de ar-condicionado e com participação de 30% no mercado brasileiro. - O volume de vendas no verão depende do calor e da economia. Se os indicadores mostrarem desacelaração nos próximos meses, mas o calor for forte, as pessoas deixam de comprar vários produtos para investir em itens para suportar as altas temperaturas - explica Torrado, que desenvolveu modelos como o Expression, que purificam o ar, e o Innovare Mariner, que economiza até 35% de energia. Os aumentos de insumos como o aço e o cobre, no entanto, preocupam os empresários. Todos os fabricantes brasileiros tiveram que reajustar os preços entre 5% e 10%. A Spirit, com 10% do mercado de ventiladores de teto do país, se prepara para entrar no verão soprando ótimos ventos. Única a criar ventiladores de teto decorativos, a empresa carioca acaba de lançar uma família de novos modelos. A expectativa é de que as vendas cheguem a 360 mil ventiladores de teto até o fim de abril do próximo ano. Já os fabricantes de cosméticos apostam nas chamadas linhas solares. A Johnson&Johnson, que também está preocupada com os reajustes dos insumos derivados do petróleo, criou várias linhas de proteção, até 60, inclusive para crianças, e outra de proteção 15 com gel para os homens. - É possível que o ano de 2004 feche com um volume inferior ao do ano passado porque o verão 2003 não foi muito bom em termos de clima. Porém, o próximo verão promete ser melhor e o mercado deve se recuperar - afirma Eduardo Seidenthal, gerente de produto da J&J. Além de gigantes do setor como a Unilever, que relançou a linha solar com novos produtos, o Boticário também se prepara com mais de 13 lançamentos. Só para novembro, a empresa está investindo cerca de R$ 1 milhão na divulgação dos lançamentos. Após o Natal, a quantia deve dobrar. - Focamos os lançamentos em cremes para o corpo, desodorantes, sabonetes e, claro, em itens de tratamento solar. O verão, entre janeiro e fevereiro, representa 9% das vendas anuais - explica Andreia Mota, diretora comercial do Boticário.
